sexta-feira, 21 de novembro de 2008          
 
    A Câmara do Porto, a Fundação de Serralves e o Ministério da Cultura chegaram a um acordo que permitirá ultrapassar o diferendo que existia relativamente à utilização da Casa Manoel de Oliveira, onde será instalado o espólio do cineasta.
    “É um bom acordo, que põe termo a um velho problema que se arrastava há vários anos”, disse à Lusa Manuel Teixeira, chefe de gabinete do presidente da Câmara do Porto, que liderou o processo negocial pelo lado da autarquia.

    As negociações começaram “antes do Verão” e prolongaram-se durante alguns meses, tendo culminado com um acordo que, segundo Manuel Teixeira, deve ser assinado “nos próximos dias”.

Cineasta celebra 100 anos em Dezembro

    Este entendimento permitirá que a cerimónia possa decorrer no quadro das comemorações do centenário de Manoel de Oliveira, que se assinala em Dezembro.

    Nos termos deste acordo, a Câmara do Porto cede a Casa Manoel de Oliveira para a instalação do espólio do cineasta, que será gerido pela Fundação de Serralves.

    A casa foi criada de raiz pela autarquia, com base num projecto de Eduardo Souto Moura, foi iniciada durante a gestão de Fernando Gomes e ficou concluída ainda no primeiro mandato de Rui Rio como presidente da Câmara do Porto, mas não foi aprovada por Manoel de Oliveira.

    Esta situação inviabilizou a utilização da casa durante vários anos, tendo o problema sido agora ultrapassado com o acordo entre a Câmara do Porto, a Fundação de Serralves e o Ministério da Cultura.


 
Comboio Alfa com o nome de Manoel de Oliveira
 
    A homenagem que a CP - Comboios de Portugal fez hoje a Manoel de Oliveira, baptizando um comboio Alfa pendular com o seu nome, acabou por tornar-se quase numa festa popular, dada a adesão espontânea de inúmeros cidadãos.

    Algumas centenas de cidadãos anónimos, sem dúvida cinéfilos, de todas as idades, juntaram-se à homenagem, realizada a meio da tarde na Estação de S. Bento, no Porto, gerando a confusão e deitando por terra quaisquer planos que o protocolo da CP tivesse preparado para a cerimónia.

    A pequena multidão tornou-se ainda maior com a adesão de muitos cidadãos que chegavam a S. Bento, de regresso a casa depois do trabalho, que, curiosos, se juntaram à cerimónia, abrilhantada por uma animada banda.

    Acompanhado pela secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, e pelo presidente da CP, Cardoso dos Reis, o multipremiado realizador foi recebido com palmas pela pequena multidão ainda na rua.

    Depois, progrediu lentamente para o interior da estação, já que pelo caminho teve que dar inúmeros autógrafos aos cinéfilos de ali o aguardavam.

    Depois foi o baptismo do comboio, que ficou decorado com uma imagem de alto contraste com Manuel de Oliveira a operar uma câmara de filmar, cerimónia avidamente recolhida em imagens pelo batalhão de fotógrafos e operadores de câmara presente.

    O cineasta, que comemora 100 anos de vida no próximo dia 12 de Dezembro, mas continua a evidencia invejável forma física e intelectual, fez depois um pequeno discurso de agradecimento em que falou da "honra e emoção" que sente em ter o seu nome num dos comboios "trazem e levam pessoas para o interior, tão esquecido neste país voltado para o mar".

    Após a cerimónia, mais algumas dezenas de cinéfilos tiveram a sorte de ver autografadas por Manoel de Oliveira as brochuras que a CP distribuiu profusamente na Estação de S. Bento, que entretanto, furava, lentamente, de regresso ao carro, a barreira formada pela multidão em busca de autógrafos.

    A CP quis com esta cerimónia "homenagear uma das personalidades de maior relevo da cultura portuguesa contemporânea e a sua vasta obra cinematográfica, em especial o filme Aniki-Bóbó, a sua primeira longa-metragem que referencia os caminhos-de-ferro e a cidade do Porto".

    Entre as personalidades previstas notou-se a ausência de João Bénard da Costa e Pedro Mexia, respectivamente presidente e vice-presidente da Cinemateca Nacional, assim como de Rui Rio, presidente da Câmara Municipal do Porto.

 
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CINEMA: Casa Manoel de Oliveira na cidade do Porto vai receber espólio do cineasta